A influência benéfica da atividade física sobre a dimensão emocional da qualidade de vida se dá sob múltiplos aspectos. Considere-se, em primeiro lugar, a ação benéfica que exerce sobre os efeitos nocivos do estresse e o melhor gerenciamento das tensões próprias do viver.
Como se sabe, a reação de “alarme e de preparação para a luta”, que a percepção de uma ameaça ao equilíbrio interior e/ou à existência desencadeia nos mamíferos, exige dois tipos de atitude: agressão ou fuga. Em quaisquer dos dois casos, o animal exercitará a musculatura dos membros e, às vezes, também da mandíbula. Ou seja, exercitará músculos que dependem do seu comando consciente (musculatura estriada).
No caso do ser humano, o desencadear da reação de estresse exigirá, também, para sua adequada descarga e “desarme”, o mesmo tipo de atuação: ataque ou fuga, com o consequente emprego da musculatura esquelética. Ocorre que, em se tratando de animais “civilizados” e vivendo em sociedade, nossas reações de ataque e/ou fuga são muito mais simbólicas do que reais. Podem com frequência, evidenciarem-se verbalmente, mas raramente se traduzem no comportamento físico que lhes é inerente e natural.
O não acontecer desta descarga fisiológica faz com que a carga energética acumulada no interior do organismo crie um estado de agitação e desassossego interiores tremendamente nocivos ao bem-estar e à felicidade do indivíduo. Além do mais, esta descarga energética desencadeada pela reação de estresse não se dissipa sozinha: similarmente ao que ocorre com uma caldeira ou uma panela de pressão, alguma vazão terá que lhe ser dada, sob pena de desagregação do sistema. Ora, como tendemos a reprimir, de forma consciente, a atuação da nossa musculatura voluntária, quem irá “entrar em ação” e sofrer os efeitos da descarga energética não adequadamente canalizada serão os órgãos regidos pela musculatura lisa, sobre a qual não temos controle consciente: os intestinos, o estômago, as artérias e o próprio coração.
A prática de uma atividade física regular permite que a carga energética acumulada no nosso interior, em decorrência das tensões às quais diariamente nos submetemos, descarregue-se pelas vias normais, ou seja, através da atuação da musculatura esquelética. Encontrando a via adequada de descarga, reduz-se o dano causado à saúde e ao bem-estar das pessoas pelo acúmulo da tensão e das reações de estresse.
Há ainda duas razões pelas quais a atividade física regular resulta benéfica para a saúde emocional das pessoas: o reforço à auto-estima relacionado à melhor imagem corporal e também à sensação de estar vivendo um estilo de vida mais saudável, e, ainda, um grau maior de mobilidade física, o que, em alguns casos, significa maior autonomia. Esse último aspecto é especialmente relevante na velhice, fase da vida na qual o enrijecimento das articulações compromete a mobilidade física e, portanto, a autonomia do idoso. Comprometer a mobilidade e a autonomia significa, como regra geral, comprometer a qualidade de vida.
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